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domingo, 29 de julho de 2012

Guerra dos cem anos


A Guerra dos Cem Anos

O final da Baixa Idade Média foi marcado pela crise de retração, caracterizada por sua vez pelas Revoltas camponesas, pela Peste Negra e pela GUERRA DOS CEM ANOS, envolvendo a Inglaterra e a França. 
Este conflito deve ser entendido dentro do processo de transição feudo capitalista, quando da formação das "Monarquias Nacionais" 



A Guerra foi provocada pela disputa sobre a região de Flandres, importante produtora de tecidos e centro comercial, ligada por laços de vassalagem à França, mas economicamente à Inglaterra, de quem obtinha a lã. 
Outro motivo para a Guerra foi a disputa em relação ao trono Francês, reivindicado por Henrique III, da Inglaterra, que no entanto era neto de Felipe IV (morto em 1328) 

A Guerra desenvolveu-se em território francês, que esteve sempre parcialmente ocupado desde 1346 com a derrota de Felipe VI em Crécy, porém o conflito teve várias interrupções, inclusive devido às disputas internas, principalmente na França onde Armagnacs (nacionalistas) e Borguinhões (pró Inglaterra) se enfrentavam. 


Em 1415 os ingleses, apoiados por Borgonha, invadiram a normandia e venceram em Azincourt, determinado a ocupação de Paris e o aprisionamento do rei Carlos VI. Em 1420 foi assinado o Tratado de Troyes que deu a Henrique V, de Lancaster, o direito ao trono Francês ao mesmo tempo em que reconhecia a divisão da França, estando o norte sob domínio inglês. 
A Reação francesa teve início em 1429, quando a camponesa Joana Dâ?Tarc, a frente de um exército, comandou a vitória sobre os ingleses em Orléans. 
Em 1435 foi firmada a paz entre a França e Borgonha e no ano seguinte Paris foi libertada e os ingleses gradualmente derrotados. 


A guerra dos cem anos sob outra óptica...

Guerra dos Cem Anos - origens e início do conflito

De Felipe Augusto ao ataque à região da Flandres

Gilberto Salomão*
Especial para Página 3 Pedagogia & Comunicação
No ano de 1337, teve início um conflito envolvendo a Inglaterra e a França, aGuerra dos Cem Anos, que se estendeu até 1453, e que foi a maior guerra européia medieval, tendo por efeito uma série de transformações decisivas para a afirmação do chamado mundo moderno.

As origens da guerra sintetizam, em vários aspectos, o caráter transitório do período, de um mundo feudal em decomposição, mas ainda predominante, em direção a uma nova realidade, marcada pelo crescimento do comércio, da economia urbana e da riqueza mercantil. Com efeito, tanto os elementos feudais quanto os interesses mercantis foram decisivos para a conflagração.

Causas da guerra

Os atritos entre as monarquias francesa e inglesa remontam ao século 12, envolvendo uma realidade que, muito mais que nacional, era tipicamente feudal. O crescimento do poder da monarquia francesa esteve diretamente ligado ao crescimento do comércio e das cidades.

A afirmação da economia urbana, em meio a uma Europa ainda essencialmente feudal, não se deu sem pesadas lutas entre as cidades e os poderes feudais - os quais, ao menos em tese, dominavam as cidades. Foi nesse contexto que surgiram as comunas, nome dado às comunidades urbanas que buscavam a carta de franquia (documento que libertava a cidade do domínio senhorial) pela força das armas.

Os reis franceses perceberam a riqueza gerada pela economia urbana, a qual, ao contrário dos feudos, possibilitava-lhes a arrecadação de somas consideráveis em impostos. Assim, foi uma prática comum dos monarcas franceses apoiarem as cidades em suas lutas contra a nobreza. Essas, em troca, contribuíam com o rei, fornecendo homens e armas para seu exército, além dos recursos crescentes gerados pelos impostos.

Felipe Augusto e a vitória sobre os ingleses

Dessa forma, o poder dos reis da dinastia capetíngia, que governava a França desde o século 10, foi crescendo consideravelmente. Entretanto, esse poder estava longe da natureza nacional do Estado à qual estamos habituados. Persistiam ainda as velhas tradições feudais, com as antigas divisões em ducados e condados, com senhores locais poderosos, controlando por vezes áreas mais extensas que os próprios domínios reais.

Era o caso de toda a parte ocidental da França, a qual englobava os ducados de Anjou, Normandia e Aquitânia (Gasconha). Todas essas regiões, com o casamento do conde de Anjou, Henrique Plantageneta, com Eleanor de Aquitânia, foram unificadas sob o domínio de Henrique. Embora vassalo do rei da França nesses territórios, Henrique Plantageneta foi, em 1154, coroado rei da Inglaterra, detendo domínios seis vezes maiores que os do rei da França.

Entretanto, pesava contra os plantagenetas o fato de que seus vassalos na França viam, em sua ausência, a possibilidade de se libertar do seu domínio, buscando para isso o apoio dos reis franceses. Com isso, eles foram gradativamente perdendo seus territórios na França. No reinado de Felipe Augusto (1180-1223), este se apoderou dos ducados de Anjou e Aquitânia, motivando a reação do rei da Inglaterra, João 1º (João Sem Terra).

Mas a vitória sobre os ingleses consolidou o domínio da monarquia francesa nesses territórios. Principalmente porque a derrota custou a João Sem Terra grande parte do seu poder na Inglaterra. Revoltados com os intensos gastos militares, pagos com tributos que o rei impusera à nobreza, os barões feudais ingleses se rebelaram e, ameaçando o rei de deposição, obrigaram-no a assinar a Magna Carta, em 1215, limitando o poder da monarquia e submetendo-a a um conselho de nobres, embrião do Parlamento, mesmo em questões militares. Restou aos ingleses apenas um pequeno território no sudoeste da França, o condado de Tolosa, perdido definitivamente em 1220.

Ao mesmo tempo em que derrotava os ingleses, Felipe Augusto logrou uma importante vitória sobre o Sacro Império, apoderando-se da Flandres, porção nordeste da França, hoje Bélgica, e já então um importante pólo comercial e manufatureiro de tecidos, controlando a rota mais importante para o Oriente, o mar do Norte. Entretanto, a relação entre a região e a monarquia francesa era de relativa autonomia, pagando tributos a esta, mas mantendo ampla liberdade, inclusive comercial.

Interesses comerciais e crise sucessória

Entretanto, ao longo do século 12, os interesses comerciais das cidades da Flandres levaram-na a uma aproximação maior com os interesses ingleses. Grandes produtoras de tecidos, notadamente de lã, essas cidades tinham na lã inglesa sua principal matéria-prima. Com isso, embora formalmente vinculada à França, a região era muito mais próxima efetivamente dos interesses ingleses. Todavia, em 1322, o conde de Nevers, regente de Flandres, prestou juramento de obediência ao seu suserano, Filipe de Valois. Tratava-se de um dos mais importantes nobres franceses, primo do rei da França, Carlos 4º, e, portanto, um dos herdeiros do trono francês.

A situação torna-se mais grave quando, em 1328, Carlos 4º morreu em Paris. Assim como seus dois irmãos mais velhos, Luís 10º e Felipe 5º, todos eles filhos de Felipe 4º, o Belo, Carlos morrera sem herdeiros. Criou-se na monarquia francesa uma crise sucessória. Por um lado, Felipe de Valois, primo do rei e sobrinho direto de Felipe, o Belo, era o pretendente aparentemente óbvio.

Mas havia outro pretendente. Isabel, filha de Felipe, o Belo e irmã do rei morto, Carlos 4º, havia casado com Eduardo 2º, rei da Inglaterra, tendo com ele um filho, igualmente chamado de Eduardo. Numa avaliação dinástica fria, Eduardo seria o herdeiro do trono, na condição de filho de Isabel, continuando a linhagem direta do antigo rei Felipe, o Belo.

Entretanto, sua condição de herdeiro do trono inglês - e dadas as cada vez mais fortes rivalidades entre as duas monarquias - levou os nobres franceses a buscarem uma fórmula que detivesse suas pretensões. Essa fórmula foi encontrada num antigo e obscuro princípio do direito germânico, a Lei Sálica, segundo o qual nenhuma mulher poderia herdar nem poderia haver herança por linha materna.

O fato de em momento algum saber-se o que era a chamada Terra Sálica, citada na lei, ou mesmo que reis na França já haviam ascendido ao trono alegando sangue real por linha materna (caso, por exemplo, de Pepino, o Breve) foi deixado de lado pelos franceses. Felipe de Valois foi coroado com o nome de Felipe 6º, pondo fim à dinastia capetíngia e dando início à dinastia Valois.

Com isso, a região da Flandres passava agora a ser vassala da monarquia francesa. Contra esse fato se voltavam os mercadores e industriais das cidades da região, buscando apoio na Inglaterra. Em 1334, Eduardo assume o trono inglês com o nome de Eduardo 3º. Alegando seus direitos ao trono da França, por sua condição de sobrinho direto de Carlos 4º e neto de Felipe, o Belo, Eduardo reclamou para si a coroa francesa. Contou nessa reivindicação com o apoio de Jacques Artervelde, rico mercador que já havia liderado uma rebelião na cidade flamenga de Gand.

Em represália, Felipe 6º atacou a Flandres e ordenou uma série de ações navais sobre o litoral inglês. Era o início da guerra.







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